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Ft. Renan dos Santos: Fim de algumas tarifas ao Brasil e Goebbels abstrato do Stalinismo Brasileiro

Desenvolvimento indústria e comércio
deve detalhar qual será o impacto desse
anúncio dos Estados Unidos por aqui no
Brasil. Vamos direto paraa Brasília.
Cláudia, bom tempo já postos pra gente.
Oi, Cláudia, bom dia para você. Claro,
né, que essa decisão foi comemorada pelo
presidente Lula, mas principalmente
pelos setores da economia que estavam
muito afetados, muito pressionados por
esse tarifaço

e tiveram muitos prejuízos, né, Elton?
Bom dia para você. Bom dia a todos. Eh,
depois de um período de incertezas, né,
como Elton falou, prejuízos com
produções encalhadas, os exportadores de
carne, café, frutas e outros itens
voltam a disputar o mercado americano em
condições de igualdade com outros
países. A notícia animou empresários dos
setores atingidos pelo tarifaço de
Donald Trump. A expectativa agora é
seguir negociação para reverter
alíquotas de outros produtos que ainda
amargam as barreiras para entrar no
mercado americano.
Em São Paulo, o presidente Lula
comemorou a decisão do governo
americano.
Hoje eu tô feliz porque o presidente
Trump já começou a reduzir algumas
taxações que eles tinham feito e alguns
produtos brasileiros.
E essas coisas vão acontecer na medida
em que a gente consiga galgar respeito
das pessoas.
Ninguém
respeita quem não se respeita.
Veja, eh, a grande
conquista do governo nesse momento foi
ter ajoelhado, tá?
caíram várias
tarifas que foram colocadas contra o
governo brasileiro. A grande vitória do
presidente da República foi não ter
ajoelhado em vários outros locais do
mundo, outros países ajoelharam
as tarifas que estão sendo retiradas. A
gente vai ver uma interpretação aqui do
Loural, que é uma pessoa que me irrita
bastante. Mas veja, deixa eu mostrar uma
coisa para vocês,
tá? Deixa eu mostrar. Vou colocar o o
Lourival para falar no WW
e aí a gente vai comentar
a partir do que ele tá falando, tá?
Vamos pegar aquele outro aspecto.
Hum.
O Roberto acabou agora o final do último
segmento dando uma ideia para nós, eh,
de acordo com as informações dele, o que
que ele enxerga que possivelmente esteja
sobre a mesa em negociações, digamos
assim, mais técnicas.
Porém, esse tarifá foi imposto com uma
carta onde havia exigências políticas.
Uhum.
Sabemos qual é a antipatia que o
secretário de Estado tem em relação a
países que são governados por colgações
políticas como a brasileira.
Uhum.
Como é que está isso?
Vamos lá. Eh, além da questão do custo
de vida, houve dois elementos que para
responder a sua pergunta, dois elementos
que levaram essa decisão do Donald
Trump. Eh, no dia 4 de novembro teve a
eleição nos Estados Unidos em que os
republicanos foram derrotados pelos
democratas pelo mesmo motivo pelo qual
os democratas tinham sido derrotados
pelos republicanos um ano antes, o custo
de vida. E aí começou a pressão política
sobre o Trump. No dia seguinte, dia 5,
teve a audiência da Corte Suprema, na
qual esse ingrediente político sobre a
IEPA, que é a esse das International
Emergency Economic Powers Act, né, essa
lei do da da emergência econômica
internacional foi questionado inclusive
pelos juízes conservadores e
principalmente por eles. E aí o Brasil
foi citado
pelos juízes.
Exato. Pelos juízes de pera aí. Vocês
estão citando ao ao adotar a IEPA, vocês
citaram eh questões políticas internas
do Brasil. E aí até uma certa
solidariedade orgânica, né? Porque a
Corte Suprema de lá, né? Eh, já pessoas
começam a fazer isso conosco, né? Embora
claro, Estados Unidos são muito mais
poderosos, mas enfim.
Eh, e aí o Trump sentiu toda a
fragilidade da estratégia dele,
fragilidade política, fragilidade
jurídica e fragilidade econômica. Então,
isso aconteceu nos dias 4 e 5. Vem a
reunião no dia 13, Marco Rúbio, eh,
Marco Mauro Vieira, que segundo a minha
apuração, foi uma reunião eh fria e sem
substância. Sim.
Olha, eu não tenho motivo. Ele tá
desvalorizando aqui o trabalho do
Brasil, tá? Mas eu não tenho motivo para
duvidar dele. Pode ser que sim, pode ser
que não, né? Ele tá dizendo assim:
“Segundo minha opação, ele tá dizendo:
“Confia em mim”, né? Quando quando o
jornalista diz, “Segundo minha
apuração”, é o famoso confia em mim.
Então, a gente tem que ir na
credibilidade do do Orival. Eh, então,
segundo minha apuração, não aconteceu
muita coisa lá na negociação, tá? É isso
que ele tá dizendo, segundo minha
apuração. Tá tranquilo? E isso é jargão
de jornalista. Quando ele fala, ó, eu
apurei ele tá dizendo: “Confia em mim”.
Tá? Isso é jargão jornalístico. Eu
apurei, é confia em mim. Chuta pro pai.
Certo. Eu tô dizendo, eu tenho
credibilidade, confia em mim. Eu não
tenho motivo para desconfiar dele,
certo? A priori. Pode ser que sim, pode
ser que não, tá? Então vou tomar como
verdadeiro que ele tá dizendo, certo?
Não vou, não vou fazer igual o pessoal
falar, mas a mídia burguesa, não vou
tomar como verdadeiro. Então vamos dizer
que foi de fato uma
uma colocação
uma colocação,
digamos,
eh,
acertada. Ele só tá dizendo que ele
apurou mesmo. Ele conversou com gente
que tava dentro da discussão e e é isso.
Vamos supor isso, tá bom? que o Marco
Rub deixou claro toda o fato de que ele
tava fazendo aquilo que o Trump mandou,
ele mencionou, falei ontem com o
presidente, ele ficou muito feliz, né,
que a gente vai ter essa conversa, ou
seja, não é uma iniciativa minha isso
aqui, por mim eu não faria isso, porque
não faria mesmo, né? Porque ele é de
origem cubana, ele detesta a Venezuela,
detesta a esquerda, detesta tudo que é a
ver com a esquerda. Então, e ele tem
assessores ali, o Ricardo Pita, que é
venezuelano, é que também traciona muito
e tem uma influência fortíssima sobre a
embaixada dos Estados Unidos em
Brasília, que tá sem embaixador. Então,
eh, no Departamento de Estado, a visão é
com é o oposto disso. Mas o Trump tomou
uma decisão política e aí ele agora
embalou essa decisão, como ele sempre
faz, eh, protegeu essa decisão, blindou
essa decisão para não parecer um recu,
eh, trazendo primeiro aquela história,
ou seja, é um recu, né? É um recu. Hã,
história ali, ele já tinha decidido
fazer isso quando na Assembleia Geral da
ONU ele abraça o Lula. Aí vem com essa
história de química, né, de que eu gosto
do Lunet de que ele é o vencedor de um
witch hunt, de uma caça às bruces, assim
como eu. Então Trump e o Lula foram
vencedores, sobreviventes de uma caça
bruxos, coisa que Jair Bolsonaro não é,
então ele muda a aposta dele.
Aí como é que o pessoal com quem você
conversa na área diretamente econômica?
Tá? Então é essa fala do Lourival que eu
queria colocar aqui para vocês. Veja
bem,
se
a apuração do Lorival está adequada,
presta ter atenção.
Vou mostrar outra coisa para vocês, para
vocês entenderem. Agora olha a diferença
de abordagem. Olha, olha a diferença de
abordagem. Quando Trump começou a falar,
olha só.
Grande dia.
Grande dia.
Vai cair meu vídeo por causa da música.
Durante discurso em uma igreja ontem, o
governador de São Paulo, Tarcío de
Freitas, comentou sobre o tarifaço dos
Estados Unidos e afirmou que dar
vitórias a Trump pode ajudar nas
negociações. Mateus Dias,
o governo.
Certo.
É isso. Tem a fala dele, tem ele
falando. Se não tiver a fala dele, eu
não quero saber não. Aqui
reforma orçamentária
da direita. A reforma sanitária é
fundamental, desvincular a receita é
fundamental. E lógico aí todo mundo tem
que fazer sua parte. O executivo tem que
se fazer sua parte.
Sem citar Lula ou o PT.
comentou sobre o tarifaço e reforçou que
na opinião dele, o Brasil deve fazer
concessões. Nas palavras dele, dar
algumas vitórias a Trump podem ajudar na
negociação.
Olha que patético. Olha que patético. Ó
disse que parar de comprar combustíveis
fósseis da Rússia pode ajudar a tornar o
presidente norte-americano mais
maleável. Ou seja, abre esse rabo feio
seu, certo? Pega o rabo feio do Brasil e
abre ele completamente. Não é isso?
Imagina se tivesse esse cara como
presidente.
Tarcísio não comentou as críticas feitas
pela família Bolsonaro, principalmente o
vereador Carlos Bolsonaro, que se
referiu aos governadores que pretendem
se candidatar à presidência em 2026 como
ratos.
Tem que concordar com palestrinha, né?
Mas vocês entendem. Vocês entendem? É
patético, né? Ou seja, o que que o
presidente da República Brasileiro fez?
Colocou os escudo no chão e falou: “Ele
vai ter que ceder uma hora. Ele vai ter
que ceder”. Veja, em certa medida isso
foi uma aposta e a aposta deu certo.
Certo. É, é a voz do cara é assim.
Eh, veja só, deixa eu deixa eu tentar
explicar para vocês primeiro
a questão, né? Questão é a seguinte: se
o Lourival tem razão, e ele fala como se
tivesse eh criticando o governo, né? Ele
fala como se tivesse a a o teor do WW é
como quase como quem diz assim, ó:
“Gente, se deu bom pro Brasil, o governo
não fez nada, foi coisa de lá, foi tudo
unilateral do lado de lá. Claro que fez,
não abriu as pernas.
Porque veja, se o Trump tá com problema
de inflação e está com problema de
inflação. Se o Trump está com problema
por causa do caso Epstein, só me
interessa esse negócio de caso Epstein,
só me interessa e única e exclusivamente
na medida em que fragiliza a imagem do
Trump em sua política interna. Se o
supremo deles lá, a Suprema Corte dele
tá dizendo isso é ilegal, então ele tava
fragilizado juridicamente, ele tava
fragilizado politicamente, estava
fragilizado economicamente. O que que o
Lula fez enquanto governador do país?
Não vou baixar a bola porque esse cara
vai se fragilizar. Porque este dano,
quando você coloca a barreira, quando
você coloca a barreira fandegária,
quando você coloca tributação externa,
esse dano vai vir pro consumidor
americano.
Isso vai prejudicar os mercados
brasileiros? Vai, mas a porrada vai ser
na economia americana.
Eu vou colocar, né? Vou stand,
não é isso? Vou colocar meus dois pés no
chão, o cara vai vir pro ataque, eu vou
segurar o ataque e daqui a pouco ele vai
ser obrigado a recuar. Como é que isso
não foi articulação do governo? Aí
apareceu um palhaço aqui e aí é nesse
momento que a gente complementa isso
aqui, ó. O estalinismo brasileiro, né,
ainda tá, vai aparecer embaixo, né? Ele
tem um gobs abstrato e o pior encarnante
disso se chama João Carvalho, tá? tem
que ter clareza com isso. Eu vou dizer
para vocês porquê. Ah, primeiro, o que
que eu tô chamando de globals abstrato?
Globals abstrato é o seguinte: se eu
mentir, se eu repetir uma mentira 1
milhão de vezes, né? É isso que eu tô
chamando de gbles abstratos. Se eu
repetir uma mentira 1 milhão de vezes,
as pessoas vão começar a acreditar na
mentira e ela vai virar verdade, tá?
Eh, apareceu aqui, apareceu aqui um, uma
criatura dessas que segue esses
estalinistas todos da internet.
Quando eu falei, eh, que que bom, né,
que vai diminuir o a tributação, né,
vitória L, brinquei, né, eu e eu brinco
de provocação, né, só para ver o que que
a galera vai dizer. Aí o cara falou eh
bem assim, ele falou exatamente isso.
Ah, é. Ah, é. grande vitória. Agora a
gente tá dando nossas terras raras por
causa de em troca de de tributação. De
onde ele tirou isso?
Você entende? Então assim, veja, podia
ser, podia ter acontecido isso mesmo.
Pode até ter acontecido, mas de onde
tirou? As pessoas falam, elas mentem.
Ela, eu falei, falei, veja, se o
Lourival tem razão
de que aconteceu tudo do lado de lá,
então o governo ainda não cedeu nada.
Pode até ceder, certo? Entendem o que eu
quero dizer?
Vocês Vocês entenderam? Pode até ceder,
mas se ele não cedeu,
aconteceu, tá aprovado, tá demonstrado?
Qual é o documento? As pessoas falam
o tempo inteiro essas coisas.
As pessoas falam: “Foda-se, vou falar
qualquer merda aqui. Vou falar qualquer
merda para melar o governo.
Para melar o governo. Cadê a referência?
Cadê a referência? Você fala, você fala.
Falei, falei.
Você não precisa de prova para falar
nada. Você não precisa de demonstrar
nada. Entenderam? Pode até ter
acontecido, mas me demonstra o que tu tá
falando. Ninguém tá dizendo que é
impossível ou não, mas demonstre não.
Quando é contra o PT, você fala aí,
depois você verifica se é verdade.
Depois você verifica se é verdade. Você
fala, você abre a tua boca e fala o que
você quiser. Aí depois a gente vê se é
verdade. Entenderam o que eu tô dizendo?
Entenderam o que eu tô dizendo?
Veja, o Trump fez um cerco no mundo
todo. Ele faz isso com todos os países
do planeta Terra, não só com o Brasil.
Ele cerca os caras, fala: “Eu tenho
esse, esse, esse, esse, esse, esse,
esse, esse interesse”. Coloca todos os
interesses na mesa e fala: “Você está
sob pressão.” Que que o governo do
Brasil fez? Não vou ceder. Eu sinto para
conversar economia. Posso conversar
sobre economia, posso conversar sobre
terra rara, posso conversar. Agora você
não vai mexer na nossa ah na nossa
independência.
É exatamente o que o Renan Santos tá
dizendo. E é bom que o Renan apareça
aqui, que eu quero falar a mesma coisa a
respeito do
nosso do nosso deputado lá do Sul, o
Renato Freitas, né?
Vou aproveitar para nesse momento para
falar sobre isso.
Quando o Renato se meteu lá na confusão,
que eu já falei sobre isso, que eu falo
que a confusão em si, né? Aí teve até um
pessoal comentou assim comigo: “Ah, mas
o que que ele deveria fazer?” Fugir? É
fugir mesmo. Devia de fugir. É o melhor
que se faz nesse momento. Mas veja o que
tinha de gente falando que o é um monte
de vídeo cortado e a galera falando
assim contra o Renato, né?
Ah, mas foi ele que provocou, mas foi
ele que fez. Mas não tem presunção de
inocência nunca, né?
Não tem presunção de inocência nunca,
né?
É impressionante. E veja como isso é
isso é isso é curioso. Na semana da
consciência negra,
na semana da consciência negra, pô,
beleza. O cara devia evitar esse
negócio. Aconteceu um negócio desse,
você tem que sair, você tem que correr,
você tem que se esconder. É isso mesmo.
Tem que fazer. Você é deputado, é
prefeito, vereador, tem que fazer isso.
Devia ter feito, mas é só isso que você
pode falar. Você não pode sair, ah, mas
eu vi um vídeo aqui do não sei o quê, do
corte e não sei o que, portanto, o cara
é culpado, ele que fez ele aconteceu.
Você não, a galera não sabe, pô.
Não sabe. É presunção de culpabilidade o
tempo todo. E é presunção de
culpabilidade copiada. o tempo todo.
Mas aí é culpa nossa, né? O G7 tá
dizendo assim: “Normalmente essa de
fugir é meio merda, pois socialmente um
monte de gente exige performar
masculinidade bravona”.
É. E o mês da consciência negra começou
com a chassina com 121 mortos numa
favela. Exatamente,
exatamente,
exatamente,
exatamente.
Não sei. Aí é [ __ ] né? Aí é [ __ ] Lugar
de fala, né? Tu não sabe o que é sofrer
racismo para falar isso. E vou falar
assim mesmo. Não é doido? Porque no
lugar de cala aqui não, né? Eu não sei o
que que é. racismo para falar isso, mas
lugar de cala que não. O que eu tô
dizendo não é sobre a pessoa, eu tô
falando sobre o vereador, né? Não tô
falando sobre o cidadão, eu tô falando
sobre o vereador, né? Sobre o vereador.
O vereador ele vai perder pontos em cima
disso. Isso é um dado, tá colocado já,
certo? Ele tá já tem dois ou três
pedidos de de impeachment rolando. Tô
falando sobre o agente público.
É disso que eu tô falando. Falando sobre
deputado estadual.
falando sobre o prefeito, tá? É disso
que eu tô dizendo.
É isso que eu tô dizendo, tá? Não tô
dizendo que a pessoa deveria fazer ou
deixar de fazer segundo sentimentos
pessoais. Eu tô dizendo pro deputado é
uma perda. Ponto. É isso. É isso que eu
tô dizendo. Pro deputado é uma perda
dado, colocado, né? Pro deputado é uma
perda. É isso que eu tô dizendo.
Agora, o que veio de gente, o que
apareceu de gente para esculhambar
a pessoa com base na foto da vírgula,
porque tem esse vídeo aqui desse ângulo
e esse aqui não sei o quê, e fazendo
piada da violência, etc. O que teve
disso,
que teve disso da internet é um absurdo
completo. É um absurdo completo.
É um absurdo completo,
tá?
Isso é o ponto é mais ou menos esse. O
deputado não deve ficar qualquer
deputado, né? Nem não é só uma pessoa
que é agredida, não, né? Ou que não é
agredida. Qualquer deputado não pode
ficar repetindo da tenena porque isso
não é bom. É uma é uma discussão que eu
faço aqui há 500 anos, né? quando é
deputado, quando é vereador, quando é eh
senador, quando é caro, quando o cara
tem o cargo público, tem que tomar
cuidado porque isso vai se voltar contra
ele.
Pode. O Renan tá pedindo para entrar
aqui para falar sobre isso, sobre a
questão do racismo estrutural. Me dá,
deixa eu mandar aqui para você a
mensagem. Deixa eu só terminar o negócio
sobre o aproveitar que o Renan. Isso é
importante. Eh, G.
Renan,
eu preciso do teu e-mail para mandar
aqui o link. Eh,
é, pronto, né? Pronto. Me manda, me
manda o seu e-mail, cara, para eu poder,
para eu poder te mandar um negócio.
Vamos lá.
É, então, mas no vídeo, o vídeo é isso
aí. Tem um vídeo aqui, tem um vídeo
acular, tá?
Vídeo. Ah, [ __ ] A galera quer jogar
tudo no na base do vídeo.
Beleza.
Ai, Deus.
Valeu,
te mandei aí o link, tá? Te mandei aí o
link. Eh, vamos lá. E o que eu tô tô
expressando aqui, né, a respeito dessas
coisas é o seguinte. Eh,
no caso especificamente que a gente tava
falando do
do
lance desse lance do PT, né, que que a
galera fala é [ __ ] né, que a galera
fala e [ __ ] fala qualquer coisa e aí
ainda tem a pachorra de ser irônico, né?
né? Ainda tem a pachorra de ser
engraçado, fazer uma piada e etc e tal,
para sem necessariamente ter que ter
fundamento, né? Então, o que aconteceu
eh é que houve um recu do Trump. O que
foi negociado,
aparentemente nada. Pode ter sido
negociado alguma coisa, mas eu quero
saber o que que foi, porque
aparentemente não foi negociado nada.
Aparentemente o Trump recuou por causa
de motivos internos. E aí a gente
mostrou a diferença, né, da abordagem.
pro
cara lá de São Paulo, Tarcínico.
Pro Tarcínico, era só, ah, não tem
vergonha nenhuma abrir uma perninha
aqui, recuar em relação à Rússia que do
nada, antes de sentar para conversar,
era essa a posição do Darcísio. Certo.
Vamos ver de novo. Vamos ver de novo.
Vamos ver de novo.
Do início. do início, ele no início já
tem
durante o discurso em uma igreja ontem,
olha como é que é igualzinho, né?
Durante o discurso numa igreja ontem,
o governador de São Paulo, Tarcío de
Freitas, comentou sobre o tarifaço dos
Estados Unidos e afirmou que dar
vitórias a Trump pode ajudar nas
negociações. Mateus Dias,
ou seja, senta para conversar já com a
perna aberta,
senta para conversar já com a perna
aberta.
O governo disse: “Vou sentar para
conversar. Aparentemente, segundo o
Lourival, segundo o Lourival, se é
verdade a apuração do Lourival, nem
sequer foi conversado nada, nem sequer
foi acertado nada. Segundo Lorival, tá?
Segundo o Loural, nem sequer foi
acertado nada. E os caras cederam
unilateralmente. Então veja, se isso é
verdadeiro, se isso é verdadeiro, então
o governo brasileiro acertou ou não
acertou na tática?
Acertou ou não acertou na tática? O
governo brasileiro
acertou ou não acertou? Eu não vou sair
abrindo as pernas, eu não vou sair
fazendo, entregando nada, eu não vou
falar nada, vou sentar para conversar.
Segurou, segurou, segurou, segurou. A
tensão tá tão grande nos Estados Unidos
que tá para estourar no judiciário
contra as tarifas aplicadas do Brasil,
todas elas. tá para estourar
ah politicamente, porque ele tá com 38%
de aprovação e agora vai passar o
negócio do do dos Epistem Files lá, que
vai pegar na base dura do trampismo
e acertou economicamente porque a
porrada que trouxe pra economia
brasileira,
o Brasil teve que sair correndo para
abrir novos mercados do mundo. Foi por
isso que eles foram encontrar lá na
Malásia, inclusive, né? Foi por isso que
eles foram encontrar lá na Malásia,
porque enquanto eu perdi o mercado nos
Estados Unidos, eu tô abrindo mercados
em outros lugares do planeta,
certo?
Então é essa colocação que a gente faz.
É essa colocação que a gente faz
que trata-se o governo como se ele não
fizesse nada, como se não tivesse tática
em É, exatamente. Não tivesse tática
nessa estratégia de esperar o Trump
piscar. E ele piscou primeiro.
Isso. Exatamente. Esse é o ponto. Sim.
Se foi unilateral e nada foi negociado,
mais uma vitória ainda. Mais uma vitória
ainda significaria que o Brasil não
cedeu nada. Se for verdade isso, repito,
contando que a minha interpretação da ah
da fala do do Lourival está certa, seria
mais uma vitória ainda se não cedeu
nada.
Agora, se você deu, eu não sei. Aí tem
que ver o que você deu e etc. Mas vocês
percebem como é uma facilidade do
[ __ ] para mentir contra o governo?
E por isso que eu digo que o João
Carvalho é o pior de todos, mas é o pior
de todos disparado. Sabe por quê? Porque
eu me aproximei
dessa galera estalinista
porque eu via que o João Carvalho tava
meio que jogando xadrez 500D. Eu chamei
o João Carvalho aqui e a primeira coisa
que eu f que eu fiz crítica a ele quando
a gente estava conversando foi o
seguinte: “Olha, João, nessa galera aí
do maísmo,
a galera pega muito pesado com esse
negócio de o dengue é um bosta, o dengue
é um merda, o dengue é um lixo, porque
eu sou eu sou maoísta porque eu sou
louco e gosto de matar 30 milhões de
habitantes, né? Gosto daquela época lá
que matava 30 milhões de habitantes, que
fechava a universidade. Eu gosto daquela
época, aquela época que é boa, né? Aí eu
tava, claro que eu não disse isso. Eu
falei assim, João, tipo assim, é muita
forçação de barra, eu disse para ele,
né, ô João, é muita forçação de barra
dizer assim que o dengue é só uma merda,
né? Que é só uma merda é difícil, né?
Porque assim, se a China está onde está
hoje,
foi construção em parte considerável do
dengue, né? Então assim,
a gente não pode dizer que o dengue
errou tudo, né? Tudo fica muito difícil,
né? Fica muito difícil. Aí eu falei
isso, pera aí, ele riu quando eu falei
isso e respondeu assim: “De fato, não
tem como eh comparar, não tem como
comparar o que aconteceu
na União Soviética, que jogou a imagem
de Stalin na lata do lixo como um maluco
sociopata, como se ele não tivesse
participado de nada, né? Como se o o
Kuchev não tivesse feito nada, né?
enquanto que o dengue fez uma abordagem
melhor, que não melou todo o passado e
etc e tal, ele só valorizou isso. Ele só
valorizou isso.
Eu olhei isso e falei assim: “Não, tudo
bem, eu entendo o que ele tá tentando
fazer aqui. Eu entendo o que ele tá
tentando fazer aqui. Mas pelo menos
cedeu, porque eu já vi uns mauistas
louco de dizer que o o dengue é um
imbecil completo, é um doente, é um é um
é um vendilhão absoluto e etc e tal.
fazer esse tipo de giro, né? Eu eu tenho
que conversar com gente doida, mas
também é importante dizer
que o cara não é só, né, o a encarnação
do mal, que tem alguns acertos, né,
como, por exemplo, esse não jogar a
imagem de na lata do lixo.
Me abriu, né, me abriu para para
tipo assim, eu sei o que ele tá fazendo,
ele tá conversando com os malucos. E aí
eu via, teve outro vídeo que eu vi dele
que era muito interessante que ele
falava assim, ó: “Eu sou contra a
eleição,
mas se for para ir pra eleição, tem que
ir direito.” Eu falei: “Ah, eu sei o que
o João tá fazendo”.
Aí eu entendi, eu entendi. Eu sou contra
ir pra eleição, mas se for para ir pra
eleição, tem que fazer de forma
profissional, adequada, tem que juntar,
tem que ir para ganhar e etc e tal.
Falar: “Ah, entendi o que você tá
fazendo”.
Ele sabe que fala para maluco.
Ele sabe que fala para maluco. É como
ele sabe que fala para maluco, ele fica,
ele tem que dar, né? Ele tem que, olha,
tem o maluco, mas eu tenho que conversar
com o maluco também. O maluco também faz
parte, né? Eu entendi o que ele faz para
[ __ ] né? Eu entendi para [ __ ] o
que ele faz.
Quando eu percebi que ele fazia isso,
tava manobrando maluco.
Ah,
foi o foi a primeira vez que eu falei:
“Não, velho, tem gente tem gente
raciocinando por trás desses
maluquinhos. Tem gente raciocinando por
trás e guiando esses maluquinhos. Ele
sabe que tem os maluquinhos existe, mas
ele consegue colocar o maluquinho um
pouco para lá, um pouco para cá e
domesticando o maluquinho e tal”. Eh, aí
eu entendi. Aí eu falei: “Não, esses
cara tem raciocínio por trás das
besteiras que eles falam.
Tem, tem raciocínio. Isso é que nem o
Breno Altim empinando prato, né, com
maluco, né? Empinando prato com maluco,
porque ele sabe que tem que falar com
maluco, né?
Ah,
né?
aqui é de esquerda ou do lado errado.
Então veja, nessa época, nessa época o
que eu tava tentando, o que eu percebi
que era possível, né, fazer era que era
possível conversar com essa gente que
empina prato com maluco, porque eles
estavam até domesticando esses malucos,
né? Esses doentes que tem muito doente,
gente. Tem muito doente. Doente mesmo,
gente que quer se matar e o [ __ ] né?
Doente mesmo, tá ligado?
gente, gente com com que precisa mesmo
procurar um médium. Eles estavam eles
estavam administrando essa zona de
maluco, né? Eles estavam administrando
essa zona de maluco, mas tentando puxar
puxar essa galera para ter alguma
racionalidade.
É real, é, é gente shanner mesmo. É
shanner mesmo. É shanner absolutamente
óbvio, né? Tem muito, não é pouco, não.
É muito.
É muito Xandre. É muito Xandre. Não é
pouco não. Então eles estão tentando
administrar esses malucos, juntando e
transfando, né? Tem a base dos malucos,
tem a base da pessoa assim um pouco mais
razoável, tem um pouco a a base do
pessoal que é mais institucional e ele
tava querendo fazer essa diplomacia
entre todos eles, né? Papo dele
inclusive sempre foi do a galera não
pode, a galera não pode brigar, depois a
gente vê e etc, etc e etc. Não, o
discódia soberana, meu Deus do céu, né?
Meu Deus do céu. Deus tenha piedade
daquelas almas que estão lá.
Então, ah, o o
João sabe articular assim, pensando,
tipo assim, falando a língua que o que o
público quer ouvir, esse público. Então,
ele fala pros malucos completos, ele
fala paraas pessoas mais razoáveis, ele
fala até com, né, ele tem tem consegue
falar na linguagem acadêmica, se
precisar falar com o acadêmico, ele
consegue falar com o jornalista, ele
consegue ir articulando esse ban de
gente, né?
Eh,
é aquele aquele redit, aquele redit só
tem doente do Brasil do B, né? Só tem
doente naquela [ __ ] Só tem doente. Ah,
é raro você conseguir encontrar alguma
pessoa ali com um neurôo no lugar. É
raro. É raro. Eh, veja então o o que é
importante, que eu achava que tava
acontecendo, é tu tá articulando umas
pessoas do maluco completo, as pessoas
mais razoáveis, as pessoas mais
conservadoras e etc e tal. Normaliza um
pouco e puxa a janela de overton mais
pra esquerda. Eu achava que era isso que
tava acontecendo. Você vai puxando a
janela de overton conscientemente mais
paraa esquerda. Você deixa o maluco
falar igual a direita fez com
bolsonarismo, entenderam? Igual a
direita fez com bolsonarismo. Deixa o
maluco falar, porque aí se deixar a o
maluco falar, entra um, né, a o a
discussão vai sendo puxada mais paraa
direita, você deixa o doente completo lá
da extrema direita falar, porque a
janela vai sendo puxada lá para longe,
que aí você vai ter um mínimo razoável
de direita. Eu achava que era isso.
Então você ia ter, ou seja, quando o
João fazia isso, ele tentava puxar a
galera lá para extrema maluquice,
transformar em razoável, em permitido, a
a extrema maluquice de esquerda para
depois você pautar um negócio de
esquerda razoável, seja eleitoral, seja
mesmo revolucionário, inclusive, porque
eu não tô dizendo que ser revolucionário
não é é coisa de maluco, não tô dizendo
isso. Tô dizendo que você deixa as
coisas assim, ó. Cuidado, hein? Vocês
estão vocês, vocês não vão escutar a
gente não. Vocês não vão ouvir o que que
é importante pro Brasil. Você não vai
servir a classe trabalhadora, você não
vai. Cuidado que tem gente muito mais
doida que eu aqui, tá? Eu achava que era
uma coisa meio assim, né?
E isso foi mais ou menos o que o MBL fez
com bolsonaristas. Por isso que eu digo
que eles são o MBL de esquerda, né?
Porque obviamente são. Mas eu achava que
tinha algum controle disso, né? E aí,
tal qual o MBL não tinha controle do
bolsonarismo e o bolsonarismo ficou
muito maior do que o próprio MBL, eu
percebi que o João também não tem
controle de [ __ ] nenhuma desses doidos,
desses doentes suicida que ele que ele
alimenta, né? Ele não tem controle
nenhum disso. E esse é o problema, né?
Por isso que o João pior de todos,
porque ele ajuda a naturalizar essa
gente doida e ele não controla
absolutamente nada disso.
Rapidinho,
rapidinho, vai pro [ __ ] qualquer
coisa. minimamente razoável nesse grupo.
Minimamente razoável vai pro [ __ ]
porque João não manda em nada disso,
certo?
Ah,
e aí o que que é o gubbles abstrato? É
que veja, na ideia não é de uma pessoa,
é uma ideia mesmo genérica. E se a gente
mentir para [ __ ] sobre o PT todos os
dias da vida,
aí as pessoas se convencem de que não é
o PT, é a gente, né? Que tem que colar
com a gente, que tem que fazer o que a
gente faz, etc e tal. Por isso que eu
acho que o o tanto Breno Altman quanto o
colega, como é que é? O o Elias Jabu,
eles vão patinar sempre.
né? Eles vão patinar sempre, sempre
tentando lidar com esse público criado
por João e Amigos, né? João and Pauls,
não é isso?
Porque ele é a arena racional daquilo
ali, ele é a posição racional daquilo
ali.
Mas isso tá longe de ser racional há
muito tempo. E eu quero crer que o João
sabe bastante bem disso. Bom, eh, e eles
exato. Eles estão presos a esse público.
Eles não conseguem falar contra o
público. Você viu o o Humberto? Humberto
querendo se candidatar. No outro dia era
o traidor, era o vagabundo, era o
Gente, esse barco já furou há muito
tempo, tá? Só fica nele quem quer. Bom,
Renan, vou colocar o Renan para subir
aqui agora paraa gente conversar
rapidamente sobre o tema ah do ah da
violência que sofre a população negra.
Eu acho que é importante na semana da
consciência negra, aliás, seria até
melhor que fosse ontem, né, na no dia da
consciência negra, mas considerando que
a escola tá dando esse dia pra gente de
ahã folga,
eh
vamos usar, né? Vamos usar, vamos
tratar, vamos usar o o feriado estendido
para falar do tema a que se presta o
feriado. V e Renan, seja muito
bem-vindo, meu querido.
Fala, Pedro. Tá me ouvindo bem?
Bem para caramba. Tá muito bom.
Ah, perfeito. Então, cara, poxa vida,
maior satisfação tá aqui de novo podendo
falar com você, com o seu público. Um
abraço aí. E, pô, é um dia de reflexão,
mas também é um dia de muita celebração,
luta. Ah, vamos tentar sintetizar, falar
um pouco sobre isso, cara. Eh, só pra
gente ter uma noção assim, quanto tempo
mais ou menos a gente tem, cara, para eu
não me estender demais ou não ser muito.
Vamos,
vamos até uma hora, uns 30 minutos.
Fechou? Uns 30 minutos. Então, cara,
legal. Ô, primeiramente, acho até foi
bom ter sido hoje e não ontem, porque
ontem eu não ia conseguir justamente por
questões de agenda.
Uhum.
Correria e tal.
Mas
vamos embora. Então, eu quero falar
sobre
Fala aí, cara. Deixa eu te, né? Se
apresenta o Renan para
Verdade.
Pode crer, pode crer, pode crer. Então,
mano, eh, galera, eu sou Renan Santos,
professor de história, sou mestre em
história também, né, pela UNIFESP.
Atualmente tô no município de Tatuí aí
há 10 anos já, eh, dando aula de
história paraa rapaziadinha até nono
ano. E nesse percurso vi muita coisa
como professor, mas também como
militante, que eu me considero, eu me
considero não, né? Eu sou um militante
eh do movimento negro. Atualmente eu tô
à frente aí do movimento Alvorado
antiracista.
Já desde 2021, a gente, Pedro, tem uma
boa notícia até eh, finalmente estamos
conseguindo articular as forças aqui
para ativar o conselho da igualdade
racial aqui na nossa cidade. Fica até um
recado. Poxa, eu vou até entrar numa
digressão importante aqui, amigo.
Eh, esses esforços que nós estamos
fazendo, nós no movimento negro aqui, eu
vou falar o vorado antiracista. Aqui
existe um outro movimento chamado NAF,
movimento eh afrofeminino de Tatuí,
amarelinha africana, que é um grupo que
valoriza tradições africanas aqui na
nossa cidade. a gente se reuniu, se
reuniu agora com a OAB Tatuí também para
conseguir eh promover a construção desse
conselho e através desse conselho pode
chegar verba, pode chegar dinheiro para
construir política pública pra população
negra, né, pra população que sofre
desigualdade racial, para as populações
racializadas de modo geral, até porque
Tatuí também tem uma comunidade cigana,
enfim, existem outros lugares que tem
comunidades indígenas e isso abrange
também um povo racializado. Esses
conselhos podem construir políticas
públicas para esses grupos.
Aí eu passo a reflexão assim,
interagindo com essas reflexões que você
tem feito há muito tempo já aqui no seu
canal. Que que valeria mais a pena? Eu
pagar de louco?
Eh, eu com a com com o meu movimento
aqui, prometer revolução ou a gente
sentar a bunda, ver o que dá para fazer
na prática, tentar construir política
pública, que que vai ser mais útil no
fim ao cabo pros 30 moleques que eu dou
aula ali,
que que será que é mais útil para ele?
Você entende o que eu quero dizer?
Enfim, mano. E a gente tá construindo
essa parada aqui no no movimento negro
da cidade e tal. E é isso, cara. Essa
foi a minha apresentação barra
digressão.
Eh, desculpa, tô um pouco nervoso, cara,
de verdade. É a satisfação de falar.
Quando a gente quando a gente não tá
acostumado a a falar na internet, é
normal, né? É como se a gente tivesse no
público e tal. Normal.
Mas então, cara, eh, eu queria perguntar
para você se eu posso falar sobre a
questão do racismo estrutural,
por favor.
Demorou. era eh eu acho importante
começar uma reflexão sobre a consciência
negra pensando nesse aspecto, porque
muita gente eh confunde racismo com
injúria. Imagina que o racismo se trata
de uma anormalidade, né? eh, por
exemplo, um xingamento de repente um ato
de discriminação.
Mas quando a gente percebe que tá imerso
numa sociedade,
foi construída, né, com a base de
trabalho de um povo racializado,
eh, a gente percebe que toda a estrutura
reproduz naturalmente a uma
desigualdade.
E isso se manifesta em vários fenômenos
superestruturais,
como por exemplo, o fato de 80% dos
magistrados do nosso país serem brancos,
enquanto 70%
da população carcerária no nosso país se
negra.
Tô lidando aqui com números, né, do do
IBGE,
aqueles que trazem aquela análise de que
55% da população brasileira é negra, né,
sendo pretos e pardos a somatória.
Uhum.
Mas para além disso, eu acho que um
número que expressa de maneira
categórica
a o peso do racismo estrutural tá na
violência. Você poderia falar de, né,
trazer inúmeros dados relacionados à
educação, relacionado à população de
rua, analfabetismo,
mas eu acho que um número expressa de
maneira perfeita o que que é a
violência, né, de ser negro no Brasil. O
Brasil é em números absolutos o campeão
mundial de homicídios. Os dados mais
atualizados que existem nesse ranking
mundial são de 2023. E o Brasil ele tá
em primeiro lugar no ranking mundial de
homicídios. Brasil tem 210, 220 milhões
de habitantes, certo?
Uhum.
Aqui mata-se mais que na China. Aqui
mata-se mais que na Índia.
Na que chega bilhão, né?
[ __ ] Ah, tanto a a Índia hoje que é o
país mais populoso do mundo, tem 1.4
bilhão, 1 bilhão 400 milhões de
habitantes. E não é exatamente um país
desenvolvido, certo? é um país que a
economia vem crescendo, tal, mas é muita
desigualdade. Mas a aqui mata-se mais do
que na Nigéria.
A Nigéria é um país mais que o Brasil,
que está em guerra civil, que tem
atuação de grupos terroristas de fato.
Só que é o seguinte, Pedro, não é todo
mundo no Brasil que morre de maneira
homogênea. A população não morre de
forma homogênea no Brasil. Quem morre no
Brasil tem uma cor específica. tem uma
faixa etária específica, tem um CEP
específico, certo? Uma classe social
específica. E quando a gente olha para
esses números, a gente percebe que a
gente tá falando de um eh de algo
análogo a um genocídio. Não, não dá para
chamar de genocídio, mas os números eles
são análogos, irmão.
Uhum.
Não estou aqui pesando
eh a realidade.
E aí assim, quando a gente olha para
esses dados estarrecedores e e percebe a
como é natural a naturalidade disso, eu
tava comentando, né, eh no no seu chat
agora a pouco, começou o mês da
consciência negra com um massacre de
mais de 120 pessoas na favela da Penha,
certo? Complexo da Pensa, é no complexo
da Pensa, sobre aplauso, inclusive da de
uma parte da população que apoiar uma
direita maluca, né?
sobre o aplauso e sendo que as favelas
elas são o retrato da ausência de
políticas públicas da da do governo
brasileiro, do estado brasileiro para
com a população egressa da escravidão.
É uma é as favelas do Rio de Janeiro é
justamente esse retrato do que que
aconteceu com aqueles pretos que foram
abandonados depois do 13 de maio.
É, é, é complicado, é estarrecedor. E eu
gostaria, cara, de promover uma breve
reflexão sobre as raízes desse racismo
estrutural.
A gente não tem como não passar pela
questão
da
do da escravidão moderna. A escravidão
moderna, ela
foi algo, talvez um dos crimes mais
atrozes. É difícil, né, a gente mensurar
esse tipo de coisa, mas eu acho, você
que é um cara da filosofia, eu aprendo
muito filosofia no seu canal, obrigado
por isso. Eh, mas assim, é até possível
da gente pensar no seguinte, o próprio
termo escravidão, eu acho que ele passa
a ter um novo significado a partir da
modernidade, cara. A palavra escravidão,
ela significava uma coisa, passa a
significar outra, pela proporção, pela
racialização relacionada à escravidão.
Porque formas de trabalho, modelos de
trabalho compulsórios diversos existiram
em muitas civilizações, para não dizer
em todas, né? Impossível a gente falar
em todas, mas para não dizer todas, em
muitas, eh, só que o que acontece em
escala a partir do século XV
é algo nunca antes visto.
Foram 12 milhões de seres humanos
trazidos para cá.
Essas estimativas são as estimativas
mais ã conservadoras. Eu eu eu já eu já
vi análises que falam em até 20 milhões,
mas aí eu acho que são talvez pros
elitistas pro outro lado. Talvez talvez
a média fique em 15, mas de qualquer
forma são milhões e milhões de pessoas.
E é doido refletir, cara, quando a gente
pensa no processo de fim da da do
tráfico de escravos no Brasil, que em
1850 é cessado o tráfico de fato, eh,
pressão da Inglaterra,
medo de uma possível rebelião africana
acontecer novamente aqui, dessa vez bem
sucedida, né? Vamos lembrar da revolta
dos malês que aconteceu em 35, filme,
inclusive, né? Tem um filme,
vai sair agora, né? E também eh na
verdade esse medo ele tinha até nome,
né? Haitianismo, medo do que aconteceu
na na ilha de Santo Domingo,
que foi a primeira revolução, foi a
primeira revolução latina aqui nas
Américas e a única que teve movimentação
de escravos. E eles ganharam da França,
isso é importante lembrar, eles ganharam
a evolução.
Eles ganharam, eles ganharam da França,
eles ganharam da Espanha que tentou
tomar aquela parte da ilha, né? os
caras,
algumas figuras e alguns momentos
históric a gente tem que ter a licença
poética de chamar de heróicos. Esse é um
deles.
Ah, claro.
Mas alguns são, mas outras figuras
históricas são heróis estrito senso,
tipo Luiz Gama. Aí é herói em qualquer
análise. Pronto.
É, não tem como, né? Ali a ali a
revolução de Santo Domingo, ela ela
merece uma licença poética, como também
talvez o quilombo dos Palmares, mas é
enfim, mano. Mas é esse esse processo
que eu ia falar era o seguinte, quando
acaba quando acesso ao tráfico de fato
por aqui, aí eles já tinham certeza que
a escravidão ela não ia eh continuar eh
não tinha como, né, eh era mais viável
um sistema escravista simplesmente
porque o crescimento vegetativo ele não
acompanharia, né, a máquina de morte que
era a escravidão no heito.
um escravizado da lavoura, ele tinha uma
expectativa de vida de 5 a 10 anos e a
maioria absoluta dos escravizados ia
para as lavoras. Eh, então assim,
os
escravizados, os africanos que
atravessavam o oceano, grande parte
deles, boa parte deles vinha, trabalhava
e morria. Vinha, trabalhava e morria.
Era a escravidão, ela foi uma máquina de
morte. Mas fugindo agora, cara, um pouco
desse aspecto destrutivo
eh desse processo todo, é importante a
gente refletir que por uns 350 anos,
quem sustentou o Brasil e Portugal na
rabeira foi o trabalho do escravo
africano.
E a gente não pode ficar e a gente não
pode ficar preso apenas ao Brasil. A
Europa inteira estava sobre esse modelo,
né? Espanha coordenava a América Central
e os Estados Unidos funcionava. Então, a
América inteira sustentava o
desenvolvimento da Europa nesse
processo, né,
parceiro, eu tô eu tô relendo o Raimundo
Faoro, donos do Poder.
Uhum.
É curioso, né? Ele ele conta como era a
corte, né? Como era lá Lisboa no período
do auge ali da cana de açúcar, século
X7.
Eh, o ouro, Lisboa tinha uns poucos
fidalgos muito muito ricos e mendigos.
Era e porque e sem perceber ali também
eles estavam repassando toda a riqueza
pra Inglaterra, porque tudo que eles
precisavam e tudo que eles consumiam
vinha de fora, na verdade, né? Da
Inglaterra, da França, da Suíça. E o
ouro, na verdade, só passava por
Portugal. E era um sistema onde os
pobres eram sustentados por esmolas
praticamente.
Nada era produzido lá. E aqui no Brasil
também nada era produzido, tudo era
importado.
Eh, e apenas uma classe gerava riqueza
de fato.
Os negros.
Uhum. Eu é eh é é importante dizer que
os os escravizados eles não só
realizaram trabalho braçal aqui, eles
realizaram trabalhos técnicos também.
Antes da chegada de imigrantes, né, quem
realizava os trabalhos técnicos era eh
eram os negros. Eu eu tive um colega no
mestrado inclusive que que pesquisou a
biografia do Tebas, um grande arquiteto
que foi escravizado, depois ele comprou
a própria liberdade, que era o
considerado principal arquiteto da
cidade de São Paulo no século XVI. Ele
construiu a a igreja da Sé na época, a
igreja matriz.
Humum.
E no no nesse período que você tá
falando do século X7 em diante, com a
formação do ciclo do ouro, toda a
produção que a gente tem de cidade não
existia. Era tudo trabalho no campo
antes para produção de açúcar, mas toda
a estrutura da construção das cidades eh
é feita. Então foi erguida mesmo. A toda
toda a cidade, todo o estado de Minas
Gerais foi erguido pelo pela pelo pelo
trabalho negro. E a busca de ouro que a
gente você falou, você mencionou de eh
não só o trabalho braçal, mas mesmo o
trabalho braçal na hora de pegar ouro
era um trabalho técnico, não era
qualquer pessoa que sabia mexer com ouro
e eles foram buscar na costa da mina lá
a sa mexer com ouro, né?
Exatamente. Exatamente. Nossa, foi ótimo
se ter feito essa menção. E assim, eh,
povos da da região ocidental da África,
dessa região onde hoje corresponde a
Nigéria, Benim, eh já conheciam a
metalurgia inclusive do ferro desde o
século 3, pelo menos. Eh, é, é sabido
isso. Então, eles já tinham
conhecimentos de metalurgia, técnicas de
pecuária mais avançadas do que os
próprios ibéricos, que não eram tão
acostumados a pecuários europeus
ibéricos que que dominaram aquela
região, sobretudo a partir do, no caso
de Portugal, a partir do século XI, né?
Eh, os caras criavam porco. Eh, eh,
técnica de pecuário, os africanos tinham
mais domínio. Isso foi um aspecto que
levava eles a a escolherem seus
escravizadas. Eh, é, é, é, é, é meio, ao
mesmo tempo que eu vou falando sobre
isso, eu vou ficando triste, cara,
porque é todo um conhecimento técnico,
um legado que construiu riqueza de
grupos que até hoje permanecem no poder
e quando a gente reivindica é mimimi, tá
ligado? Ah,
é pesado pensar nisso tudo, mas ao mesmo
tempo é importante a gente lembrar, a
gente saber da nossa o povo preto, é
importante a questão do do simbolismo do
povo preto saber da sua força, o povo
preto saber que o Egito ele era uma
sociedade negra e os próprios gregos
diziam isso. Heródoto, eu adquiri o
hábito de ler os antigos gregos com
contigo, cara, acompanhando o teu canal.
Aí e o lenderódoto, ele fala ali com
naturalidade sobre a superioridade dos
egípcios, justamente pelo fato de ser a
sociedade mais antiga. Ele alega que os
egípcios dividiram o ano em 12 meses
primeiro, que criaram um calendário de
360 dias, depois com mais 5 dias, né, 12
meses, certinho.
Ou seja, né, uma precisão matemática
estupenda que são inventores da
geometria, que os gregos iam estudar com
os egípcios e que os egípcios eram
negros, né, provavelmente descendente
dos etípos, ele alega lá naquela obra
história dele. Muito, eu acho legal o o
a criança negra se apropriar dessas
histórias, ela entender isso, mas é essa
parada da, como chamam mesmo, da
representatividade, ela tem seus
limites, né? a gente tem que virar é é a
estrutura. Cara, eu queria falar uma
outra coisa. Todo mundo fala muito da
escravidão, Pedro, mas eu queria trazer
uma outra reflexão também. Como foi
racista o processo de superação da
escravidão no Brasil? é algo que é pouco
falado pela pela proporção e pela
proximidade no tempo. Eu acho que pelos
reflexos que isso trouxe na sociedade.
Eu vou começar trazendo um, já falando
de um artigo de 1911.
1911 é o ano do Congresso Universal das
Razas. Você já ouviu falar dessa parada?
Já.
Legal.
Eh, tava naquele contexto, talvez o
público, né, não não saiba. Então, eu
acho que é importante falar, tava
naquele contexto pré- Primeira Guerra
Mundial, né, aquela aquela paz armada da
Europa e as potências brancas da Europa
tavam tentando entender como interagir
com outras raças. Em outras palavras,
né, como eles iam dividir o mundo de
forma pacífica. Não funcionou três anos
depois estourou a guerra. Enfim, mas aí
assim, por trás daquilo, aquele verniz
ideológico de interesse antropológico,
de interesse social, de como desenvolver
os outros povos e tal, e aí fizeram esse
congresso. O Brasil ele levou uma
comissão oficial do governo da Fonseca.
Essa comissão ela foi capitaneada por
João Batista de Lacerde. João Batista de
Lacerda era então diretor do Museu
Nacional.
Ah, o Museu Nacional naquela época era
talvez a a principal o principal centro
de pesquisa do Brasil. E vamos lembrar
que em 1911 ainda não havia
universidades no Brasil. Então, os
principais os principais centros de
pesquisa acadêmica eram as os museus e
os institutos históricos geográficos.
Então, Museu Nacional, principal Museu
do Brasil, ele era só o diretor,
já tinha sido ministro da agricultura,
enfim, né? um alto funcionário ali do
governo e ele vai lá e apresenta um
trabalho chamado Os METs no Brasil ou os
mestiços no Brasil, no qual ele alega
que o Brasil ele era um país que
demonstrava que a missigenação era
possível, né? Que ainda em 1911 havia
negação de que a mistigenação seria algo
possível, né? Existia ainda aquelas
ideias de que a missenação levava à
degeneração, né, do do dos descendentes,
etc. As ideias de que negros e brancos
eram de fato espécies diferentes e não
apenas raças diferentes. E aí assim,
João Batista Lacerda ele apresenta esse
trabalho
dele alegando que não, que eram apenas
raças diferentes, era um trabalho
progressista pra época. eram apenas
raças diferentes, não são espécies
diferentes. Então é possível sim a
missigenação. E aí ele começa falando da
história do Brasil, que como os pretos
eram povos que criaram ali uma cultura
horrível pro Brasil e que não trouxeram
nada de contribuição, tal, mas
felizmente o Brasil estava encontrando a
solução.
O Brasil, através do influxo de
europeus,
ele estava conseguindo branquear a sua
população.
Uhum.
E aí ele estabelece uma estimativa de
que em 100 anos eh a população do Brasil
seria toda branca.
Ah, visa o que seria a Austrália e os
Estados Unidos. Era essa previsão dele.
Engraçado que nem Estados Unidos é todo
branco agora, né? muito pelo contrário,
mas ele faz essa previsão e ele usa ele
ele fala ele faz um tripé para
estabelecer qual seria o caminho para
chegar a esse país branco. Primeiro
lugar, o influxo de europeus. Segundo
lugar, a promoção da missigenação, né?
deveriam ser europeus eh latinos,
italianos, portugueses, espanhóis, que
pudessem ali se missigenar com a cultura
local e a seleção sexual faria com que
eles sempre procurassem pessoas mais
claras. E o terceiro aspecto,
o abandono da população negra,
eh, o abandono das populações não
brancas, porque o artigo, na verdade,
ele não trata apenas dos negros, ele
fala da ele fala inclusive das raças
mistiças. Ele se refere aos agunços, aos
gaúchos no sul, aos a aos jagunços, eu
acho que no Centro-Oeste e aos cabocos
no norte, algo assim. Acho que os
jagunças é do Nordeste que ele que ele
se refere. Então ele fala que o Brasil
era composto por essas raças mestiças
inferiores e que essas raças todas iriam
desaparecer e dar lugar para um país
branco.
Uhum. Veja bem, cara, eh, esse discurso
dele foi muito aplaudido porque o Brasil
tava encontrando uma solução pacífica
pro problema racial lá nesse congresso.
Ele foi muito elogiado. Eles acharam
pacífico, né? Porque os Estados Unidos
naquela mesma época queimava os negros
em praça pública. E por outro lado, ele
foi criticado aqui no Brasil pelos
políticos, porque
primeiro que ele admitia que tinha muito
negro no Brasil e aí aquilo envergonhava
os políticos. Segundo lugar, que a
estimativa pro desaparecimento dos
negros era muito grande. Hã, 100 anos
era muito tempo, isso era ruim. Então,
essas foi as críticas que ele recebeu.
Veja bem, cara, isso aí foi em 1911. O
Brasil ele vai eh estabelecer
de fato uma política diferente dessa só
a partir, eu acho que da década de 40,
quando vai quando fica feio ser racista,
você me entende? Depois da Segunda
Guerra Mundial.
Sim. Daí o Brasil vai, aí o Brasil eu
acho que vai abraçar aquele discurso que
já havia nascido na academia, já havia
nascido, né, né, eh, no, nos meios
intelectuais, culturais, né, começa ali
com a semana de 24, eh, a semana
modernista, vai passar pela pelo
conceito do Gilberto Freire, né, a
influência dele por Trans Boas e tal, e
vai trazer a a noção de que os pretos e
os indígenas contribuem para a formação
da sociedade brasileira. Depois ele vai
cair naquele mito da democracia racial,
que aí é a padical, né?
Porque agora eu quero que você pense
comigo, meu irmão, a gente teve 350 anos
de escravidão aproximadamente. Se a
gente considerar o início da escravidão,
o século eh o meados do século X,
aonde a gente sustentou isso aqui.
Depois vem um processo de
superação do sistema escravista, que na
prática ele visava o extermínio da
população negra.
Ah, importante dizer, eu falei pro João
Batista,
hã, com projeto de migração europeia.
Exato. E esse projeto ele foi executado.
É importante dizer uma coisa,
o o João Batista Lada, ele não estava
ali apresentando um projeto a para ser
desenvolvida a posteriore. Ele estava
justificando uma política que já vinha
acontecendo desde 1890, aliás, desde
1880,
porque é quando começam a as
os financiamentos massivos,
os financiamentos massivos para a viagem
a a dos europeus, dos italianos,
sobretudo, sobretudo nas regiões mais
dinâmicas economicamente, né? São Paulo.
É por isso que São Paulo vai coalhar de
de italianos. Esses italianos, eles
muito, muitos deles foram explorados,
foram foram explorados. Não vou não,
não, não dá para negar a realidade, mas
eh que eles tiveram a sua o custeio
financiado pelo Estado dentro de um
contexto de políticas públicas
eugenistas,
isso não dá para negar. E você ter
trabalho, eh, você ser explorado, mas
você ter trabalho no setor industrial,
que é o setor mais produtivo, faz uma
diferença, inclusive, né? Quer dizer, as
pessoas foram trazidas para cá para
trabalhar, enquanto pros negros não foi
dado um processo de plano de estado para
incorporar esse pessoal na economia.
E com conforme conforme no caso de São
Paulo, né, conforme São Paulo vai se
tornando uma cidade maior, porque
diferente do Rio de Janeiro, São Paulo
era uma vila até 1890,
né? São Paulo era uma vilazinha. É
depois é que São Paulo vai crescer com
café, né?
Oi.
Depois com a industrialização e o café.
O café dá dá um crescimento pro São
Paulo e aí o trem que vai correr da de
Santos até
Exatamente. Eh, mas a industrialização
ela ela que vai tornar São Paulo uma
metrópole de fato, porque ainda no
começo do século XX são São Paulo não
crescia tanto. Ela passa a crescer 20
vezes a cada 5 anos. números absurdos eu
não tenho de cabeça aqui, mas é uma
coisa bizarra mesmo. Eh, mas aí nesse
período o o que que impede o a ascensão
de uma classe média negra é o racismo.
Eh, é o é o racismo institucionalizado,
é o racismo que acaba também emergindo
na cultura, né, como fenômeno
superestrutural. Não dá para negar. Os
vestígios da daquela os vestígios não,
né? a presença de uma mentalidade
racista, que ela existe em todos os
espaços, em todas as classes sociais,
né? Eh, e nesse sentido, eh, as pessoas
negras elas eram preteridas nos
empregos, eh, apenas determinados
empregos que que sobravam para essa
população. Muitas vezes não era falta de
capacidade técnica. Eh, eu cito aqui um
trabalho de um historiador chamado
Ramates Jacino, numa tese de doutorado,
aonde
a tese de doutorado era era sobre os
trabalhadores negros em São Paulo no
século XIX. Talvez o título seja esse,
depois eu pesquiso qualquer coisa.
Ramado,
ele demonstra como na década de 70
muitos trabalhos técnicos eram feitos
não apenas por pretos, por escravizados,
médicos, professores, engenheiros,
músicos, etc, etc, etc. Mas você entende
que com o influxo de europeus, essa
população ela fica marginalizada e ela
perde até o acesso, né? E aí assim fica
muito mais difícil paraa população negra
no no caso de São Paulo e o racismo se
manifesta em São Paulo de maneira
particularmente forte
no sul do Brasil. Cara, importante
dizer, só vou falar uma parada para
porque eu já tô indo pro encerramento
também.
Eh, essas colônias alemãs e italianas
que se formaram, né, na na Serra Gaúcha,
eh muitas delas se formaram a eh já no
século XX, começo do século XX. E
existia nesse período, cara, até esse
período, estamos falando de século XX, a
profissão de bugreiro. O que era o
bugreiro? Era o sujeito que entrava na
mata e destruía a aldeia para limpar a
região para depois receber o
Nem sabia que existia.
Sim, bugreiro. Aí eu eu tive acesso a um
processo, Pedro, de bugreiro,
eh, de um julgamento de um bugreiro que
ele tava sendo acusado por 100
assassinatos, por cerca de 100
assassinatos. E aí ele responde assim:
“Vocês estão me acusando de 100?” Mas na
verdade eu matei nos 1000.
batendo no peito.
Sim, sim. Enfim, mas aí quando a gente
pensa, né, a gente olha a situação atual
nas fronteiras agrícolas do nosso país,
né, a tensão que existe contra essas
populações indígenas, isso não acabou,
né? Por isso a minha solidariedade a ao
povo indígena também, porque isso é um é
uma forma de racismo, importante dizer,
mas eu eu eu acho que eu entrei em
várias digressões, mas acho que algumas
coisas que eu falei aqui salva, né,
cara? Eu acho que trouxe algumas
contribuições.
Eh, eu queria dizer só uma só uma parada
do Gilberto Freire, né, que é foi a
pical. Eu joguei, ficou no ar. Por que
que eu falo que é a pá de cal? Imagina
só, 350 anos de escravidão, eh, décadas
depois de de políticas eugenistas, né,
sobretudo nas regiões mais dinâmicas
economicamente.
Ah, e aí é sucedido depois por um
discurso,
por um discurso oficial de que não
existe racismo no Brasil e tá tudo bem,
que esse era o discurso oficial, por
exemplo, da ditadura militar.
Uhum. Eh, então assim, é importante,
cara, você é um cara que é professor
também, muito orgulho de compartilhar da
mesma profissão que você. Eu acho que e
você é mais ou menos da minha geração,
um pouco mais novo. Eh, mas, ó, na
escola que eu estudei, não tinha eh
história da África, não tinha história
afro-brasileira. Hoje a gente, como
professor de história, a gente tem que
passar por esses temas ou não tem?
Lei 10639. A gente pode dizer quem é o
culpado disso?
O movimento negro fez uma luta
gigantesca
desde lá de trás. Não caiu do céu, não
é? Maná.
É de aí 2003. Ah, o Partido
Trabalhadores consolidou essa
exatamente
essa decisão no
E aqu e aquele catatal da história da
África, tu já teve acesso?
Tenho, tenho, tenho.
Daqueles livros. Quem que foi o ministro
da educação que trouxe essa parada? pro
Brasil. Fernando, foi o Fernando,
então, né? Mas é tudo igual, Pedro.
É tudo igual. Tudo igual, mano.
Tudo.
Ô, eu sou, eu, eu, eu queria ver essas
molecadas de internet que fala bosta do
PT na minha frente, mano. Eu sou petista
desde 2020. Mas eu não, eu nem vou
entrar numa Você, você, você acha que
você é um cara que fica bravo, mano? Que
você não me conhece, Pedro, [risadas] na
moral, na moral. E eu não tenho E eu não
tenho nem um pouco de orgulho disso. Não
tenho nem um pouco de orgulho disso. Mas
assim, a a gente não tem sangue de
barata também não, mano.
É [ __ ]
A gente que é petista,
a gente ficou quieto tempo demais e isso
fez mal pro Brasil.
As porradas que a gente a a galera acha
que
a galera acha que a gente vai ter medo
de foto de anime, mas a gente tá sendo
perseguido pela direita desde 2005,
mano. Desde 2005, desde os anos 80, né?
Se for pensar no PT, né?
Uhum.
Você entende? Então, [ __ ] velho, a
gente a gente apanhou quieto tempo
demais e isso fez mal pro Brasil.
Eu acho
PT, ele ele ele ele merece, ele deve
fazer autocrítica e eu sou bastante
crítico, mas não é essa palhaçada, né?
É,
não é essa palhaçada que a galera faz
parecer, né?
É, é a desconstrução da história, né?
Você é louco. É
que que vocês fizeram, do que que vocês
construíram, do que que vocês
realizaram. Como se nada isso, tipo, o
bom mesmo era o Vagas e ponto final, né?
Agora o resto tudo. Não tem luta
nenhuma, não tem ganho nenhum.
[ __ ] ô. [ __ ] a fome, [ __ ] o
Pro Uni, [ __ ] o F. Irmão, eu sou
mestre em história, certo? Sabe onde eu
fiz mestrado?
Na UNIFESP.
Quem bateu
a [ __ ] na mesa e falou para Unifesp?
Vocês viram uma universidade de verdade
nessa [ __ ] Ou ou não vai ser
universidade bosta nenhuma porque a
UNIFESP era só a Escola Paulista de
Medicina?
Uhum.
Quem fez isso foi o Lula e criou um
monte de campos. Eu acho, cara, que se
não fosse essa política, eu não eu não
sei se eu teria conseguido fazer o meu
mestrado.
Uhum. assim, eu não, eu não sei se é
demérito da minha parte, mas assim, mas
eu acho legal quando a galera amplia as
possibilidades, né?
Eu acho que o Lula ele ele ele fez muito
isso, tá ligado?
E a galera tira isso para merda, meu.
Galera que se formou dentro desse
sistema, inclusive tira isso para merda.
Pois é. Ampliação de universidade,
ampliação do do IF, né? é o Instituto
Federal também, que é outra força
importante para inclusão. Enfim,
exatamente. A a aquele FUNDEB que pinga
no final do ano, que professor gosta.
Exato.
Enfim, né, mano? Mas isso é outro papo.
Pedro, obrigado aí. Desculpa
qualquer coisa invadir sua live, mas
valeu a oportunidade aí de falar um
pouco meu sobre
a dor de ser negro, mas também trazer
que há resistência e que hoje se a gente
pode lutar dentro da institucionalidade,
a gente pode, é importante terminar com
esse recado, a gente pode, não tô
falando que é fácil, não tô falando que
é eh Gozolândia, desculpa, Mas, mas é
possível fazer as paradas acontecer.
Se hoje a gente pode fazer isso, muita
gente lá atrás teria que morrer. E isso
é valorizar os que estão lá atrás. E ser
adulto, né, mano? Ser adulto na sala,
tentar construir política pública mesmo,
melhorar a vida da classe trabalhadora,
do negro solidariedade ao povo indígena.
Porque assim, se nós negros
eh nos consideramos maioria, é porque os
partes também são contados como os
negros. E os pardos, eles têm
ascendência indígena para [ __ ]
Quem, quais são os estados
que são considerados mais pardos do
Brasil? É Pará e Amazonas.
Hum. A missigenação lá é muito mais com
indígena do que com negro, com africano.
Então assim, se a gente bate no peito
para falar que a gente maioria, eh, a
gente tem que mostrar solidariedade à
causa indígena, porque eles estão
morrendo hoje.
Importante esse esse esse recado. Se a
gente quer se considerar a maioria, a
gente tem que pular nessa bala. Enfim,
Pedro, mano, te amo,
tá ligado, né?
Também.
Ó, algumas coisas que eu queria te
pedir. A primeira é que você passasse
como as pessoas chegam no teu trabalho,
né? Que você tem um movimento aí eh em
São Paulo. Como é que as pessoas tem
muita gente pedindo no no nos
comentários: “Ah, passa o Instagram,
passa o Instagram, passa o Instagram”. A
outra coisa que eu quero te pedir eh,
eh, é que você vá, você a gente vai se
ver, né? 20 eu tô aí.
20 de dezembro.
20 de dezembro. É a partir de 20, que é
quando acaba o ano aqui, né? Minha
esposa vai primeiro, aí depois eu vou
pegar o carro e vou vou vou sozinho de
carro para ela.
Mas você você não você não vai fazer
tipo quase bate volta, não. Você vai
ficar uns dias, né?
Não, vou ficar uns dias. Eu acho que eu
vou para Ubar paraar na praia lá.
Legal.
Perfeito. Não, não. Eh, olha, primeiro,
eh, reontos 89. Eu eu tô no stream hard
aqui, eu só tô com o meu celular, cara.
Desculpa.
Não consigo jogar no chat, mas depois eu
posso deixar nos comentários também.
Comentários
eu deixo nos comentários depois, mas eu
vou falar.
O meu Instagram é Re.santos89 e o
Instagram do movimento Alvorada
antiracista
eh move Alvorada antiracista. Mas acha
que se jogar lá na busca do
Instagram Movimento Alvorado
antiracista, só vai aparecer nós mesmo,
cara. Eu tenho vontade, mano, às vezes
de fazer um canal no YouTube
e trocar ideia igual você assim, mas
isso é que a minha rotina é insana,
moleque. Eu eu tenho dois cargos fazer,
já que já que você tá querendo falar,
mas não tem tempo, você poderia ter um
quadro lá no na PCE.
Ô, a gente podia conversar sobre isso.
Gostaria, gostaria nesse porque eu tenho
muito a dizer, mano. Não tô falando de
conteúdo, mas pelo menos por
pôr para fora.
E acho que tem uma coisa outra para
ensinar sobre pelo menos sobre o o tema
que eu domino, assim, que é a questão do
do movimento negro em São Paulo, um
pouco da história. Eu acho que seria
importante trazer essas contribuições.
Uhum. Eh, a gente pode trocar essa ideia
depois em off.
Vamos conversar.
Demorou.
Beleza. Então, queridos, eh, eu agradeço
a todos vocês pela sua estadia aqui
conosco. Agradeço muito, Renanto. Eu
tenho certeza que quando você parar para
olhar depois os comentários, você vai
ver que a sua participação foi muito
valorosa, muito valorada.
Muito obrigado, Renan.
Ô, e foi 100% de improviso, cara. conto
que eu tava fazendo aqui quando a gente
começou trocar ideia. Eu falei: “Ô, vou
entrar [risadas]
e nem tinha pensado em nada”. Mas da
hora. Obrigado pelo espaço. Espero ter
honrado aí a oportunidade. Tenho nem
roupa, mano, para vir no seu canal.
Não.
E eu só quero terminar falando uma coisa
bem séria, mano. Minha solidariedade a
você, aos ataques que você vem recebendo
aí dessa galera. E saiba que se você
precisar de qualquer coisa aí, mano,
pelo menos aqui de São Paulo, assim, nós
corre aí com você, mano, porque precisar
de verdade. É nós.
É nós. Fica aí pra gente conversar um
pouquinho. Um abraço.
Abraço. Graças.